PARTIDOS TODOS PARTIDOS…

Ou talvez não. Porque provavelmente convém assim, onde os espertos têm mais facilidades de progredir.

Hoje a virtude não está no saber e no serviço à causa pública, está no tacho conquistado. “O meu é melhor do que o teu” por isso sou o maior.

Há uns tempos para cá, mede-se assim o valor político de um dirigente.

Como estamos em pré campanha eleitoral, vem a propósito lembrar com este apontamento algumas linhas. Que me perdoe “o Saloio” campeão do Facebook e o Rambo João Morais pois não temos tal plateia, mas sentimos que em contrapartida temos o “melhor cantinho da Net” aqui com a vossa amizade e paciência.

Os partidos foram assaltados, ou ocupados, por gente sem valor, sem educação, sem cultura, sem princípios. Mas e apenas motivados pela conquista própria de uma vida melhor. Nada contra, quando por alternativa não se consegue de outro modo, temos de parabenizar quem se afasta do trabalho operário do fato-macaco azul e vira fatinho por medida com dinheiro no bolso e muitos cartões de crédito na carteira. Conseguiu o sonho que há muito perseguia.

Mas os partidos não deveriam ser agências de emprego. Quem conseguiu emprego graças ao partido terá de pagar esse feito com juros bastante elevados. Ou corre o risco de perder tudo o que alcançou e na praça publica responder por isso.

Daí as bases de apoio serem constituídas sem qualquer princípio básico ou de índole politica mas sim de interesse monetário. Estar a dever o favor de ter emprego nem que seja numa qualquer Freguesia é ter de pagar toda a vida sendo fiel apoiante.

Meia dúzia de indivíduos facilmente conquistam um partido e decidem rapidamente nos seus projectos. Quem decide num partido local, são na maioria dos casos, no máximo de 100 militantes que votam.

Basta ter 51 para ter a maioria. Entre amigos e familiares, com as quotas em dia, rapidamente ficam eleitos.

E nas eleições internas, facilmente se verifica, que ganham com apenas o voto de de duas ou três dezenas de eleitores, e até menos.

Como se pode aceitar, de ânimo leve, que um eleito por estas minorias tenha um lugar de representatividade de milhares ou milhões?

É um insulto a um individuo normal pensante. Cuja resposta, mais vulgar, caso proteste, é:

– “Porque não faz o mesmo?”

O associativismo foi e é, uma das maneiras de ultrapassar dificuldades com a força legitima do colectivo. Todos por um e um por todos.

Em vez de cada um puxar para o seu lado, unidos terão sem duvidas, muito mais força.

É essa simples teoria que move a grande maioria das Colectividades. Sejam culturais, religiosas, desportivas ou politicas. Todas as velhas associações com aquelas imagens emolduradas nas paredes, de homens de fartos bigodes, alguns totalmente esquecidos e até os seus nomes ignorados, foram gente que por inteligência ou por capacidade criativa, criaram onde nada havia, lugares públicos para teatro, bailes e bibliotecas que de outra forma seria impossível de chegar às vulgares pessoas na época. As primeiras rádios, telefones e depois as televisões, eram de colectividades que assim permitiam aos seus associados verem algo, que não tinham posses de poder adquirir para suas casas.

As cooperativas tiveram o seu tempo áureo, e por politiquices quase desapareceram do mapa. Tal como o esperanto língua universal que foi praticamente banida do conhecimento geral.

Tudo pela necessidade de alguns políticos optarem por silenciar o que desconhecem ou que lhes retire poder.

Hoje os partidos políticos são legais, e deveriam ser uma panóplia de serviços ligados entre si, que permitissem promover uma cultura politica, mesmo que dentro da sua linha partidária, mas que aclarasse, preparasse e divulgasse as virtudes do que se entende por política no seu mais alto desígnio.

Uma escola do “bê a bá” da política. Que ensinasse e colhesse, naturalmente, os frutos desse trabalho em profundidade. Ensinar, por exemplos, dos seus mais altos quadros. Dos seus históricos fundadores, etc. Doutrinar princípios para uma vida melhor para todos, que é o que se entende por política.

Como tudo se vai perdendo e desacreditando, terá de haver uma aposta forte no ser independente, sem qualquer ligação partidária, mas com as mesmas regras que se aplicam aos partidos, nem mais nem menos. Só assim a pessoa, individual, como figura mínima elegível será a revolução na arte de democraticamente existirem eleições livres.

Só assim se podem criar novas personalidades sem rótulo na testa nem carimbos desnecessários.

Há gente boa que se revê no Sporting ou no Benfica, mesmo sem ser sócio. Há gente boa militante no Partido A ou B e mesmo sem ser inscrito, ou ter cartão de militante, ou pertencer ao partido.

 Logo, o “individuo independente” terá de ser hoje a tal figura que poderá unificar toda a gente mas com as mesmas regras e vantagens que um partido tem, o que como se sabe, não agrada de modo nenhum aos partidos…e porque será?

Opinião de

H. Martins