Falar para gerar polémica…

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FALAR DE POLITICA, FUTEBOL, RELIGIÃO, ARTISTAS MENORES COM JEITINHO E MUITOS  ETCs…

Gerar polémica facilmente no Facebook é só falar ou ameaçar a abordagem de um destes temas. E retira, ou traz muitos likes, ou e se falarmos em votos eleitorais, é a mesma coisa. Veja-se o Brasil já não falando onde vivemos.

Mesmo evitando, confesso que ponho muitas vezes o “ pé na poça”falando bem e depressa, sobre estas matérias que devo e quero, nem pensar, para fugir às polémicas que nada trazem senão ruído.

O FUTEBOL

Mesmo que seja falar ingenuamente sobre o Ericeirense ou do Mafra, traz sempre problemas. Não percebo de bola e verifico que desde a linguagem para dizer que foi golo, mais parece o inglês técnico do ex-primeiro ministro, do que português…discutido nos canais todos da TV com interpretações diferentes e que rendem 8 dias por semana, sempre a falar sobre o mesmo assunto. Ultrapassa a mente de quem pretender apenas conclusões. É demais para mim. Passo!

ARTE

Evito falar das muitas e grandes exposições que aparecem por aqui de “artistas com jeitinho” e se falo, é muitas das vezes por obrigação. Sem puxar por galões a minha formação é “Artes”. Sempre andei navegando pelas águas das artes. Desenho, gravura, pintura, caricatura, cartoons, artes gráficas genericamente e por aí a fora. No meu tempo não havia ainda o “design” e tantas escolas como hoje felizmente existem. Havia as Belas Artes (Sociedade), Belas Artes faculdade e a António Arroio em Lisboa e a Soares dos Reis no Porto. Ainda existia e lá andei também, na Cooperativa Gravura que, como associação privada, tinha aulas de gravura nas várias vertentes.

Este traquejo permitiria ter suporte para poder criticar as tantas exposições que se apresentam por cá e que se permitem até “obrigar” este jornal a fazer eco das criações artísticas de trabalhos que só pela coragem dos autores e da cobardia de quem autoriza, vem a público expor em lugares de algum valor histórico e emblemáticas galerias “envergonhar” quem na verdade é artista. Qualquer salão dos “Novíssimos” ou outro qualquer, tem uma selecção indiscutível. Ora é preciso ter coragem para “limpar” o lixo, e separar o trigo do joio.

Qualquer galeria que se preze tem um quadro que autoriza ou não, as exposições garantidas pelo mínimo de qualidade. É “vergonhoso” haver artistas de fim-de-semana a expor nas galerias da autarquia sem um mínimo de qualidade e sem escola (algumas tiveram aulas na Universidade sénior). Uma coisa é apreciar os artistas naifs outra é aceitar gato por lebre.

É evidente que tudo em arte é muito discutível. E o valor académico não dá direito a ser artista embora ajude muito. E “censurar” dá direito a muitas represálias, como é o caso actual da exposição dedicada ao fotógrafo Robert Mapplethorpe, no Museu de Serralves, que motivou a demissão do diretor artístico, por isso evito falar das exposições que invariavelmente por cá (excepções algumas da Galeria Helder Alfaiate) são de uma tristeza destruidora de considerandos de arte. E depois cai-nos tudo em cima …e o povo gosta dos coitadinhos…acrescenta sempre… eles têm tanto jeitinho…e as casinhas tão bonitas com as cortinas e tudo.

A RELIGIÃO

Aceitando não discutir, os dogmas com que somos pulverizados por todos os eruditos em religião, acreditamos que vem perto o dia do esclarecimento global e até lá, com mais ou menos simpatia e argumentos sempre válidos, vamos vivendo num equilíbrio de forças, pensando e evitando desabafos senão em “apertos” maiores. Vejamos que agora a conhecida locutora Dina Aguiar que se despede no final do seu programa na RTP – “Até amanhã se Deus quiser” e levantou já polémica através de uma jornalista mais conhecida pela ex-namorada de Sócrates, que diz : “ Mas isto é a televisão da paróquia?…” Naturalmente que é uma questão que pode ser colocada por um locutor que se lembre no final de se despedir “Salaam Aleikum ou As-Salamu Alaikum (“Salamaleico”) (do árabe السلام عليكم , Que a paz esteja sobre vós) é uma expressão de cumprimento utilizada por muçulmanos. Caía o Carmo e a Trindade. Ora esta igualdade aqui ainda não chegou…por isso ficamos por aqui.

Júlio Isidro, em defesa da Dina Aguiar  trouxe este quadro à discussão que sintetiza bem o problema.

Uma crónica de Helder Martins