A FALTA DE CASAS NA ERICEIRA

Casas, empregos novos & afins

Há muitos anos  e todos os anos sempre no verão as “alugadeiras” de avental vistoso, super-limpo e bordado, ofereciam casas para alugar à época (3 meses) para o fim-de-semana, ou apenas por uma noite.

As casas exibiam “os escritos” nas janelas a informarem se era um quarto, casa inteira ou parte de casa. Eram pedaços de papel cortados e colados no vidro.

A pouco e pouco as férias deixaram de ser “grandes”, e passaram a férias repartidas e no máximo 15 dias, para os mais endinheirados, e com a crise até uma semana já era demais.

 Os putos e a escola, que é quem realmente manda no agregado familiar em termos de férias e muito mais – com a ideia-base do alto professorado, em aumentar o tempo escolar, passou desde logo, a encolher as férias. E, de outubro, passou o início escolar, para setembro.

 Mais um rombo nas férias chamadas “grandes”, e no negócio do aluguer de casas.

E cada vez os alunos têm menos tempo de aulas com a teoria das “horas de formação”, são teorias que davam “pano para mangas” para discutirmos aqui o sexo dos anjos.

Com banhistas, que deixaram as férias grandes de três meses, a Ericeira mudou como da noite para o dia.

Por outro lado, o choque não foi assim tão terrível, graças à construção da auto-estrada, com dramas de negociatas e ainda muitas indemnizações em tribunal de que ninguém fala, mas é uma verdade dura, mas, felizmente a Obra fez-se.

São daqueles males que sendo dos outros, parece que fica tudo bem. Não deveria ser assim, em negócios do colectivo, mas as más políticas sobrepõem-se à vontade popular, e sobretudo ultrapassando aquilo que se designa como palavra de honra de político, que deixa muito a desejar.

Ora deixando esse assunto para outra altura, dizíamos nós que o choque não foi tão enorme, pois a autoestrada fez o milagre em que os estrangeiros estão mais perto, com a distância Ericeira/Aeroporto e quem está em Lisboa, rapidamente chega e parte, sem grandes viagens de muitas horas com curvas e criançada agoniada e a vomitar, e furos, numa viagem acidentada por más estradas, que tinha festa de despedida aos familiares por tradição, e que hoje em meia hora é realizada nas calmas .

Portanto, tudo ajudou a contemporizar as férias curtas com as necessidades dos banhistas a pouco e pouco transformados em turistas. E a própria crise que obrigou à novidade dos imigrantes  de Leste e do Brasil, que ocuparam tudo o que havia de casas, quer degradadas ou a precisar de obras, quer garagens, sem nada a não ser paredes, tudo foi alugado. E a que preços senhores leitores.

Dado estes factos, que alteraram a história da nossa Vila, e que muito boa gente já esqueceu,  com o aumento de turismo, que coincidiu com a partida de brasileiros que pensaram nas melhorias publicitadas da nova vida no Brasil, deu-se outra evolução se a isso podemos chamar.

A hostelaria. Nome estranho para o turismo de habitação. Nem é hotel, nem é pensão nem casas para férias. Nada.

Hostel é assim uma coisa a puxar para o fino, de uma pensão que não é pensão, mas pode ser, com uma decoração “assim modernaça com pallettes” ou ferro velho misturado com móveis do Ikea, com aquilo que gostam de chamar “conceito”.  E “prontos” o pessoal que estava desempregado e fala inglês e tem internet, lança a coisa no ar, e traz pessoal do norte da Europa para fazer surf e aluga o espaço. E a coisa pegou. Porta sim, porta sim é hostel.

Conclusão – Muita gente a facturar. Os que fazem “Booking” que são as novas “alugadeiras” sem avental e com computador; os gestores dos sites; os “Checkers”(que controlam as entradas e saídas dos hóspedes, com equipas de limpeza e gente para mudar roupas, fazer camas e mudar toalhas, etc.), os “Transporters” com carros ou carrinhas trazem e levam ao aeroporto os turistas; ainda os “Guides” que acompanham os turistas com visitas aos arredores, Sintra e Óbidos; os “Surf Trainers” ; os “Personal Trainers” etc, e muito mais do que se pode imaginar, e tudo faz falta. E facturam que é o que interessa.

Agora a pergunta premiada: E casas para residir, viver, morar?

Tudo explora a mina de ouro que é o Turismo e agora onde vão viver todos os empregados de serviços, da restauração, da hotelaria, etc?

Se as casas todas são, ou passaram a ser – de “Alojamento Local” aonde se pode conseguir alugar casa para viver neste lugar abençoado?

Crónica de Helder Martins