VALEU-ME UMA AVENTURA EM NOITE DE LUA CHEIA

UM CONTO ERÓTICO (das noites quentes)

Por DANY 

Um mal nunca vem só e é bem verdade. Nos últimos dias não há azar que não me bata à porta e estou à beira de um ataque de nervos. Mas o destino encarregou-se de reequilibrar a minha energia… sexual.

 

Vamos por partes, a rotina laboral está a deixar-me à beira de um ataque de nervos, o facto de ter perdido uma chave de casa também não ajudou, o trânsito infernal não deixa vencer distâncias e, bolas acabei de bater com o carro.

 

Uma loura espampanante, com uns óculos visual mosca e toda afectadinha da fala deixou cair o telemóvel enquanto ia a conduzir, tentou apanhá-lo e coube-me logo a mim bater-lhe por trás.

Pronta para um verdadeiro duelo verbal saí do carro e ainda não tinha aberto a boca já ela estava a pedir-me que esperasse um pouco, que não me enervasse pois não era bom para a pele e que já ligara ao marido que vinha a caminho. Pff! Estava eu a pensar com despeito, nem sequer sabe resolver isto sozinha, para logo ela sublinhar que era mesmo tapadinha ao dizer-me:

  • Se quiser, ligue ao seu.

Não me contive, chamei-lhe loura incompetente e disse-lhe que não tinha marido, que não precisava de homem nenhum para tratar deste assunto e que quando queria um homem era para passar um bom bocado. Muito chocada, a sonsa lá preencheu a parte dela da declaração amigável e teve o bom senso de dar-se como culpada apesar da traseirada que lhe dei.

Já de novo ao volante e a remoer no lento processo entre seguradoras, peritagens e um monte de chatices que aí vinham, dei comigo a sorrir com a conversa da “tia”. Se ela soubesse…

A minha vida amorosa está equilibrada com uma relação especial: sou a outra, uma amante se quiserem chamar a coisa pelo nome. Mas acreditem que gosto de o ser. Este tipo de relacionamento é à medida do tempo que tenho para dedicar a um homem. Sem compromissos exagerados, obrigações maritais e outras que tais, aproveito o que ele tem de melhor já que vem sempre numa de D. Juan para os meus braços. Mima-me com presentes e atenções e na cama descarrega com entusiasmo o que em casa lhe é negado.

E é aqui que a porca torce o rabo. Gosto de sexo caramba e se no que toca a qualidade sou exigente, neste assunto também a quantidade é importante. E hoje é dia de estar com o Miguel e mais, é noite de lua cheia o que é um bom prenúncio. Logo, não posso estar enervada, que se lixe a chave (já mudei a fechadura), que se dane o carro (é para isso que existem os seguros).

Combinámos encontrar-nos em minha casa para aproveitarmos melhor o tempo e eu até encomendei uma entrega de sushi ao domicílio pois além de nos alimentarmos… sempre podemos brincar.

A tarde passou entre a excitação da noite que aí vinha, o desassossego hormonal e o amargo de boca com a loura.

Um banho de imersão e um aperitivo “sensual man”, deixaram-me “au point” para aproveitar cada milímetro da sua pele. Uma loção corporal exótica e um “negligé” bem negligente já que me deixava ver por inteiro, esperava ansiosa o contacto das nossas línguas como cumprimento semanal.

E estava eu pronta para a tacada de saída que levaria a vários “buracos” quando a campainha tocou. Escancarei a porta e tchan, tchan dou de caras com a loura que de espanto ou inveja estava de boca aberta a olhar para o meu “negligé”. Antes de eu conseguir articular uma só palavra, o meu telemóvel de trabalho tocou logo seguido do pessoal e ainda do de casa. A loura à porta, a porta aberta, eu quase despida, joguei mão ao telefone e ouvi o Miguel:

  • Essa é a Rita, a minha mulher. Insistiu em devolver-te a tua caneta com que preencheu os papéis. Não consegui evitar.

Incrédula, estupidificada mesmo, engoli em seco e aceitei o chorrilho de educação protocolar que a levou a tão nobre gesto. Da janela do meu quarto preparado para amar via-a entrar no carro e partir. Desalentada sentei-me na varanda com as pernas no corrimão e a pensar em como ia acalmar o fogo entre as coxas que todo o dia me queimara.

Lá no alto a Lua atiçava-me a líbido e estava a perder-me com fantasias quando da varanda do lado um suave assobiar seguido de:

_ Está uma noite prateada fantástica não está, Marta?

Era o Hugo, meu vizinho há vários anos, que já se tinha feito ao lance e com quem apenas fantasiei. Pois hoje a fantasia ia passar à realidade com a benção da lua cheia.

– Tenho um saqué geladinho, um barco cheio de sushi e o meu corpo a pedir o teu. Se quiseres… e recolhi-me.

Dez minutos depois o bom do Hugo ainda molhado do duche passou da varanda dele para a minha e depois de lançar:

  • Não sei o que te deu… mas a mim já me está a dar – senti a língua dele à procura da minha.

Num mar de saqué e entre peças coloridas de sushi descobri um excelente conversador, um bem-disposto companheiro e um amante e pêras. À primeira penetração senti que há muito ele me desejava e incentivei-o a dar o corpo ao manifesto. E que bem que se movimentou. Com uma agilidade extraordinária depressa perdi os pontos cardeais no meu quarto e apenas usufruía do balancear do corpo másculo que me arrancava gemidos e frémitos de intenso prazer.

Enquanto o pressionava contra mim, olhei pela janela e lá longe a prateada lua pareceu sorrir aquecendo-me a alma enquanto dentro de mim senti a quente virilidade explodir.