SÓ NÃO É PARA RIR…

… PORQUE É MESMO TRISTE

Nunca se consegue unanimidade naquilo que fazemos, mas estamos seguros no caminho que percorremos quase há 50 anos.

Só queremos deixar raízes para o futuro que é já hoje. Quando se escreve a verdade faz sempre doer a alguém. Por exemplo, e com verdade… Quando se trata de falar de Políticos, mesmo anedotas, todos batem palmas, sobretudo por inveja de não terem as mesmas regalias e pela normal fraqueza de carácter dessa pequena maioria. Se a verdade é sobre um vizinho que chateia por causa do lixo, ou por parquear mal o carro, só contando com ele, batem-se palmas. Se a verdade é por ausência de GNR ou de Serviços médicos…também se reúne aplausos da maioria.

 Mas quando se trata de uma verdade generalizada por quem nunca gostou de ser apontado – Aqui d’el-rei. Porque reizinhos são eles do seu cantinho por direito e conquista do seu trabalho.

E costuma dizer o povo “não sirvas quem já serviu” por alguma razão.

 

“Ericeira Fantasma” um texto sobre tudo, ou quase tudo estar encerrado no dia 25/12/17 o que não era até aqui normal, deu origem a uma controvérsia de comentários, na grande maioria de discordância dos próprios comentaristas. 

Em cerca de 35000 visualizações (Não foi nem por sombras dos “posts” mais vistos) obtivemos gostos de 321 pessoas (sendo 54 de protesto) 32 partilhas e 296 comentários (sendo a discordar 67 sem qualquer relação com o texto) mas defendendo que tanto o pessoal como os comerciantes tinham o direito de estar  fechados e fundamentando essa razão – não pouparam “piropos” ao nosso trabalho e a todos os comentários que concordavam com o texto.

Assim eram os elogios : “Jornaleiros”. “Este jornal é um Pasquim, só critica o que é da terra”, “não faz nada por aqueles que cá estão”, “depois venham pedir publicidade, ser assinante nem vê-lo…” e outros “mimos” que garantidamente ajudaram a expulsar o fel numa época, provavelmente para eles, de falsa tolerância para com os outros.

E provamos (basta ler) que não acusámos, nem tomámos partido por ninguém, nem sequer comentámos se deviam ou não encerrar. Se achávamos bem ou mal ver tudo fechado. Mas como fazemos por rotina diária -narrámos um facto -Estava na maioria tudo fechado com raras excepções. Recebemos vários telefonemas a alertar para esse caso raro.

É indiscutível que as lojas, sobretudo as de rua – alegram, dão vida, garantem segurança, ajudam o turismo, iluminam o espaço público, e fazem, mesmo não acreditando, ou contrariados -Serviço público.

As lojas abertas fazem a grande diferença da Ericeira do resto do Concelho e quem não concordar está muito distraído.

E naturalmente é indiscutível que uma Vila ou cidade de lojas fechadas não é de modo nenhum convidativa a ser visitada.

Mas existirá sempre no que se possa dizer, com ou sem razão, dois lados (ou mais) de serem analisados.

Todos recordam os títulos dos jornais ditos de referência sobre os incêndios, nos últimos dias – Uns diziam 50% das casas destruídas já estão de pé e outros contrariando, mas dizendo a mesmíssima coisa, garantiam: Ainda faltam recuperar 50% das casas destruídas.

Há diferença no dizer – Mas é a mesma verdade. Meio copo cheio, ou meio copo vazio.

Do lado dos comerciantes, doa a quem doer, sem uma Associação que os una e os defenda, não vão a lado nenhum, a não ser por teimosia e muita vontade própria, ganhando apenas casos isolados que serão a excepção para confirmar a regra.

Ninguém pode estar só. Tem de existir um interesse colectivo de classe.

Não se pode continuar a actuar por inveja ou por imitação. -Ele encerra à 4ª Feira, eu também vou fazer o mesmo. Ele vai de férias para Cuba, eu também posso ir. Ele faz tostas grandes eu também tenho de fazer. Ah! O tipo está a facturar imenso com pregos em alho, eu também faço e ainda mais barato. E assim tem acontecido ao longo dos anos.

 A moda das Croissanteries, lembram-se, ou já esqueceram? Todas as lojas eram iguais. Quando apareceram as pizzas … recordam quantas abriram? E quantas resistiram? Depois veio outra moda, juntamente com as “boutiques de pão”, onde qualquer supermercado, tasca ou café, vendia o pão do dia, quente e na hora. Houve a época dos batidos, da dobradinha em pratinhos mini-dose, do fondue, do arroz de marisco descascado, da sopa do mar, das mariscadas para preços diferentes … Já a seguir outras modas vão aparecer, mas o pior é copiar … não melhorando, em vez de inovar.

Ninguém queria esplanadas, hoje há guerra por tê-las bem maiores.

A inovação nunca foi o forte dos comerciantes mais conhecidos. A guerra dos de fora e dos da terra há muito que foi perdida, mas mesmo assim, ainda surgem de vez em quando pequenas batalhas. Mal fora senão existissem investidores não jagozes.

Hoje tudo está diferente, e em vez de só três meses de verão, graças ao Surf e aos Hostéis o verão já dura 7 ou 8 meses. A Ericeira transformou-se com a multiplicação do turismo.

A facturação já tem uma média, e evita o sacrifício e o penar do famoso longo inverno. Estamos todos satisfeitos por essa conquista. Mas isso não pode ser exclusivamente trabalho da CMM, da Junta de Freguesia, ou do presidente Helder Silva.

Não pode de maneira nenhuma ser excluído o apoio de todos nós, de todo o comércio, e do saber bem receber, que sempre foi um trunfo extraordinário do povo da Ericeira.

Hoje nada se pode fazer “à balda” e cada um pensar por si, independentemente de ter todo o direito de ter férias e do seu descanso, naturalmente.

A grande méta é termos na Ericeira um “Serviço de Excelência” quer na hotelaria e restauração, como em todas as lojas da Vila, correndo-se o risco de tudo o que se conquistou desaparecer num ápice.

Se queremos que se facture bem, tem de haver necessariamente um bom serviço. O pessoal não pode ser recrutado pelo mais baratinho, “imigrantes” a servir, quando nunca foram servidos. Só boa vontade não chega apesar de muito ajudar.

Há que haver formação, para se poder pagar mais a quem sabe trabalhar. E só pode haver um caminho – o da Associação empresarial. sem desprezar o apoio da Junta de Freguesia, da CMM e das Escolas, quiçá também das boas marcas fornecedoras. E aí, uma planificação dos encerramentos parciais do comércio para folgas, férias ou manutenção.  Nada de facciosismo. Ninguém pode virar costas. Todos têm de participar para todos lucrarem.

 Todos têm razão e ninguém tem razão, quando consideram que podem e devem encerrar quando quiserem. É evidente que têm esse direito, sim. Mas não é bom para o desenvolvimento da terra que gastou, gasta e muito, para chegar ao patamar de ser uma grande escolha mundial como destino turístico.

Todos têm de fazer parte desse desígnio. Não há ninguém que possa estar isolado deste caminho já traçado. Ou estará a prejudicar o projecto, tudo e a todos.

Convém esclarecer que alguns que muito falam sobre o nosso jornal, só porque agora sentiram que afinal tem força pelos seus milhares de leitores, nunca publicaram um anúncio, não são assinantes e pouco ou nada colaboram em iniciativas da terra onde vivem. Esquecem facilmente quando precisam. Esquecem que o jornal leva aos quatro cantos do mundo o nome da Ericeira. Quer em papel, quer na net. E são muitos Milhares que nos seguem, e que nos lêem diariamente.

E quando se ouve por vezes dizer “pedir publicidade” e dar publicidade “para ajudar”, em 2018 não faz sentido. Ou se acredita na publicidade e faz falta, ou então querer ter um jornal independente que o defenda, divulgue a sua zona, fale do que é nosso, divulgando iniciativas e até quiçá fazer eco de algum protesto…isso sim, deve ser levado em consideração. Mendigar não se coaduna com bom serviço.

Não espere por quem lhe vai “pedir publicidade”…mexa-se, e prepare um bom anuncio se for caso disso, pois quando lhe dói o dente é que vai ao dentista…ou vai esperar que o dentista o vá visitar?

Texto de Helder Martins