Salvem a Honra do Convento.

Salvem a Honra do Convento.

A primeira  das crónicas que nos comprometemos semanalmente a fazer para este prestigiado jornal regional, teve como título “ Salvem o Palácio Nacional de Mafra”, e foi escrita na sequência duma visita ao Convento de Mafra, com um amigo artista plástico de seu nome Carlos Neto, em que visitámos algumas partes degradadas do imenso conjunto arquitetónico de Mafra constituído pelo Palácio Nacional, Convento e Basílica, com o intuito de fazer uma exposição fotográfica  que denunciasse o estado lastimável em que se encontra o monumento, pelo que a peça televisiva exibida pela RTP não foi para nós nenhuma surpresa, pois na altura documentamos fotograficamente o abandono em que se encontrava o edifício.

Malgrado a maior parte do conjunto arquitetónico de Mafra com exceção dos Torreões e Mezaninos, os quatro cantos do edifício,  se encontrar impermeabilizada com uma estrutura metálica, pelo que o conjunto arquitetónico não  nos parece merecer grande cuidado em termos de infiltrações na cobertura, algumas das centenas das  janelas dos pisos superiores encontram-se desconjuntadas e sem vidros, facto que não ajuda à conservação do edifício.

As paredes da maioria dos saguões encontra-se com falta de intervenção nas paredes exteriores, por falta de pintura e conservação, bem como toda a fachada do convento do lado Norte, pelo facto de não serem visíveis à maioria dos visitantes, que tal como expresso no  famoso ditado popular, longe da vista, longe do coração.

Estando o problema dos órgãos solucionado há alguns anos, bem como o dos carrilhões em vias de solução, urge olhar para  o resto do edifício para que este se não degrade mais.

O facto de no piso térreo do Palácio se encontrar um museu da escultura comparada,  com peças relevantes do nosso património, provenientes de alguns outros monumentos e Palácios Nacionais, que rumaram a Mafra há algumas décadas, estar encerrado ao público desde 1973, por falta de pessoal, de verbas para conservação das paredes, onde se amontoam as esculturas em gesso condenadas a uma morte anunciada devido à humidade que nelas escorre, e de iluminação adequada, obras orçamentadas em cerca de  200 000 Euros, surpreendeu-nos enormemente  e parece-nos um mau pronúncio para que se venha a instalar outro museu neste Palácio, como o prometido museu da música, sem que haja verbas e vontade por parte da Direção Geral de Património Cultural.

A Associação dos Guardiões do Palácio constituída com o fim de arranjar verbas para a preservação dos Carrilhões e do Palácio, que se quer fundir com a Liga dos Amigos de Mafra, extinta há cerca de dez anos, fundada com o apoio político da autarquia, terá que ser mais eficiente, e de funcionar como  catalisador de sinergias, com empresas locais e nacionais que à imagem do que aconteceu com o restauro dos órgãos, queiram ao abrigo das leis do Mecenato contribuir para a preservação desta pérola do Barroco Nacional.

Nuno Pereira da Silva

Coronel de Infantaria na Reserva.