PROJECTOS & REALIDADES

Desabafos & Desafios

Dar o relato do que acontece por cá, pelas nossas bandas, ( com movimento associativo e social em desenvolvimento) onde já existem matérias em quantidade para um semanário (para não dizer diário, como acontece na internet) com muitas páginas, começa a não ser “pêra doce”, sobretudo com equipas pequenas, mesmo com ajuda de estagiários, quando o vil metal, infelizmente, aparece sempre à frente.

Dinheiro para portagens, dinheiro para a gasolina, para jantares, pois arrastam-se as reportagens e mais vale comer por ali… tudo junto, é muito dinheiro, mas quem nos lê, pensa que é a Câmara que paga, pois a maioria dos eventos são de origem das autarquias.

 E temos de esclarecer, sempre, que não há ninguém a pagar, senão a nossa própria Associação ou o “carola” do colaborador.

Tudo isto sem falar na nossa sempre adiada evolução, quer pela compra de material que de desgaste, que se avaria, que fica ultrapassado, quer pela necessidade de ultrapassar a nossa própria ambição de cada dia que passa, mais e melhor fazer.

Fica sempre para depois…Na verdade, a rádio local (pois a que existe não se ouve na Vila da Ericeira), a TV com programação própria, e não apenas e só reportagens, com ligação às companhias de teatro locais, às Associações, e mais edições que retratem a nossa região, e que fiquem como documento histórico, com a colaboração efectiva de professores e alunos das escolas daqui, fazem parte do nosso pacote de projectos.

Temos cerca de 50 colaboradores que nada ganham, voluntários 100% pelo que fazem, mas as reportagens são preteridas pelas horas e desgaste nos dias que são dedicados à família. Depois as horas de pé, que dão cabo da coluna dos mais idosos. Tudo faz falta, sobretudo gente nova com ambições e vontade de trabalhar sem se pensar só no dinheiro. O que não é fácil. Os jovens que saem da escola salvo raras excepções, dominam o computador, felizmente, mas não sabem falar e escrever ainda menos. Ambições curtas e desejo de emprego já, mesmo sem querer primeiro aprender uma profissão.

Tudo protesta, se há algum erro, alguma imagem trocada, algum texto cortado, alguma omissão de um evento, ou a falta de comparência, etc, mas pagar pelo menos 11 euros por uma assinatura de 12 publicações reclamam, ou por e simplesmente não o fazem.

As ajudas advêm sobretudo da publicidade. Mas a publicidade só vale se existirem leitores- é uma dualidade importante. O público quer sangue. Ou noticias que critiquem até não havendo razão, e acusem por tudo e nada, gente conhecida, politica ou militar. Aí esgota logo ou atingimos muitos milhões de visualizações.

 Não somos jornal oficial de nenhum partido. Ou pago por interesses obscuros. Por nenhuma religião. Temos para nós o sentido da humildade que podíamos fazer muito mais e melhor, e que ainda havemos de conseguir alguns projectos, mas sempre o fizemos e infelizmente não foi por tal facto que lucrámos ou “enriquecemos” como muita gente diz. Se não fosse o nosso “sponsor” principal não existíamos nem tínhamos local para trabalhar.

Sempre à procura de rentabilizar as nossas edições, sempre cuidando de ensinar quem por cá passa, havemos de conseguir os nossos intentos nem que seja pelos exemplos.

Poucos saberão o que é, após uma reportagem que acaba às tantas da manhã, editar fotos, escrever o que aconteceu, editar filmes que demoram horas e dias. Colar, colocar musica, retirar e cortar o que não interessa e fazer em minutos algo que demorou 4 ou 5 horas, é um desafio.

 Agora a moda é fazer directos – não se monta, sai o que sair, mesmo de telemóvel (o que não retira qualidade) desculpa-se tudo porque é directo, ou terá de ser comprado equipamento de estúdio para receber de várias camaras e numa mesa de mistura, “misturar” o que de melhor se está a captar e conforme os ângulos, foi conseguido,…isso é a nossa aposta – após ter “massa” para tal.

Mas será necessário equipamento de som que já temos boa parte, pelo menos mais quatro colaboradores, para a tomada de imagens e som e realização na cabina.

O que acontece é que apesar do esforço, compensado apenas com palmadinhas nas costas, e depois ser criticado por quem nada faz a não ser ocupar uma mesa de café durante horas diariamente, dá vontade de fazer muita coisa… ou de nada fazer e abandonar o sonho… que abrindo os olhos se acorda para uma realidade bem diferente.

Será hora de continuar ou como já demos tanto para esta festa …de tudo terminar?

Um apontamento de Helder Martins