Opinião

Os Paradoxos do COVID-19 em Mafra e no país

Numa altura em que temos forçosamente  que  estar em isolamento, há quem o não possa fazer, para além do pessoal da saúde, por ter de trabalhar em alguns setores fundamentais para a sustentabilidade do país, bem como para a segurança interna e defesa civil.

A declaração de estado de emergência permite que os militares, para além do apoio que podem fazer em termos logísticos, possam ser usados na ordem interna em complemento das forças de segurança, que como se vê noutros países democráticos europeus, o estão já a fazer.

O Primeiro-ministro deste país parece que não pretende usar essa Capacidade, por razões que desconheço, mas que podem ter que ver com percepções ultrapassadas oriundas dos tempos revolucionários de 74/75 do século passado., que atualmente não têm qualquer justificação, desperdiçando assim um potencial importante, sempre disponível, e consequentemente  sobrecarregando  as já de si depauperadas  forças de segurança, que rapidamente estarão exaustas.

No passado aquando do cerco do Porto, para impedir que a Peste Bubónica se espalhsse pelo país, foram os militares usados com sucesso nessa operação de cerco, libertando   as forças de segurança para que estas  atuassem  dentro da cidade, missão para a qual estão mais vocacionadas.

Em tempos de emergência nacional, decretada pelo PR de acordo com a nossa Constituição,  paradoxalmente constato que os militares estão só a garantir os serviços  de segurança internos nas unidades, estando os restantes a ser enviados para casa para isolamento, evitando o contágio  e a propagação do vírus, dentro das unidades, como é o caso da Escola das Armas localizada na nossa sede de Concelho.

Nestes tempos conturbados, tenho  também constatado  que a maioria das Universidades deste país, estão a utilizar o programa Zoom para ministrar em as suas aulas por tele-conferência aos alunos, e que tanto os professores como os alunos estão razoavelmente satisfeitos com o resultado. Paradoxalmente constato que na maioria dos casos tal não tem sido feito no ensino secundário, de que é exemplo a Escola Secundária José Saramago em Mafra, por falta de computadores e net, quer dos alunos, quer dos professores.

Este facto é muito grave, pois na era didital em que vivemos, quem não tem competências ao nível de utilizador de informática é analfabeto funcional.

Em França, a título de exemplo, os computadores são distribuídos gratuitamente aos alunos do ensino  Secundário, permitindo combater o novo analfabetismo funcional. Sócrates enquanto primeiro-ministro, apesar de tudo o que fez de errado, neste domínio foi visionário, com a disponibilização, a preços módicos, do computador  Magalhães a todos os alunos do ensino básico.

Nuno Pereira da Silva

Coronel de Infantaria na Reserva

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Nuno Pereira da Silva

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