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Os inimigos do rim: diabetes, hipertensão e obesidade – Dia Mundial do Rim, 12 de Março

Artigo de Opinião de Vítor Branco – Médico, Consultor de Medicina Interna do Centro Hospitalar Cova da Beira – Hospital Universitário

Os rins são um órgão interno duplo que desempenha várias funções importantes no organismo, nomeadamente a filtração e eliminação de produtos tóxicos do metabolismo e do excesso de água, a ajuda no controlo da pressão arterial, o estímulo da produção de elementos sanguíneos e a ajuda na manutenção da saúde óssea.

O sinal mais evidente do funcionamento renal é a urina, produzida através do mais de milhão e meio de filtros, chamados nefrónios, que constituem as unidades funcionais de cada um dos rins.

A doença renal produz poucos sintomas nas fases iniciais e pode não ser detectada até se encontrar numa fase avançada. Importa assim conhecer quem está em risco para iniciar medidas de protecção do rim (prevenção) e de detecção precoce, normalmente através de análises relativamente simples, de sangue e urina (muitas vezes mencionadas como “função renal”).

Os principais factores de risco (tratáveis) para o desenvolvimento de doença renal são a Diabetes e a Hipertensão arterial e também a obesidade. A idade (mais de 60 anos) e ter familiares com doença renal são também factores de risco (não modificáveis), que devem alertar para uma vigilância mais estreita da função renal.

Para proteger o rim, isto é, prevenir a doença renal, resulta assim importante controlar a pressão arterial e o açúcar sanguíneo (tratar a Diabetes). É também especialmente benéfico seguir uma alimentação saudável, equilibrada e com baixo teor em sal, que será também útil para prevenir ou controlar o excesso de peso.

Há também muitos medicamentos que são prejudiciais para o rim, por exemplo os chamados anti-inflamatórios como a aspirina ou o ibuprofeno. Antes de tomar qualquer medicamento, vitaminas, minerais, suplementos alimentares ou desportivos ou produtos ervanários convém que obtenha aconselhamento médico.

Nas fases avançadas, a doença renal associa-se a muitos sintomas com prejuízo grave da qualidade de vida e risco de mortalidade precoce. Mediante uma dieta apropriada e medicamentos, o doente com insuficiência renal crónica pode travar a progressão dos sintomas, mas muitos casos entram em falência e necessitam um tratamento de substituição da função renal.

Um tipo de tratamento de substituição da função renal é a diálise. Este tratamento é tecnologicamente intensivo e fisicamente cansativo para os doentes, além de não suprir todas as funções renais perdidas. O transplante renal substitui integralmente as funções renais perdidas e repõe muita da qualidade de vida dos doentes renais, apesar de obrigar a uma cirurgia e a tomar medicamentos imunossupressores. Mas é difícil obter doações de rins em número suficiente para todos os doentes, motivo pelo que este tratamento está condicionado por longas listas de espera.

Assim, a prevenção, sobretudo através do adequado tratamento da Diabetes e da Hipertensão, é a arma mais eficaz na protecção contra a doença renal crónica.

Vítor Branco