O Papa Francisco e a abertura da Igreja

 

Há uns anos atrás perguntei ao Padre Vaz Pinto, numa Conferência na Academia Militar, a razão
de ser do conservadorismo da Igreja, que na minha opinião de jovem cadete, já não se
adequava, nem respondia às necessidades da Igreja, vista como o povo de Deus.

O Padre Vaz Pinto respondeu-me com candura, que o tempo da Igreja era diferente do tempo
dos homens, pois como todas as organizações milenares, o tempo é eterno, e que efetivamente
João Paulo II, embora tivesse tido um papel fundamental na história do século XX,
nomearamente na queda do Império Soviético, e fosse um excelente comunicador, em termos
teológicos era um conservador, e que certamente haveria de aparecer um sucessor de Pedro,
que haveria de permitir que a Igreja se abrisse novamente ao mundo e respondesse aos
problemas dos divorciados, dos recasados, dos homosexuais, e eventualmente da igualdade de
género entre o clero, que recentrasse a Igreja nas pessoas, e no evangelho.

Ease Papa realmente apareceu depois de Ratzinger, e como todos os reformistas está a ter
grande contestação interns, por parte dos bispos e cardeais mais conservadores , e pasme-se
por políticos conservadores Americanos, de que é exemplo o ideólogo de extrema direita da
campanha eleitoral do Donald Trump, entretanto recentemente por ele afastado do cargo de
conselheiro presidencial da Casa Branca de seu nome, Steve Bannon.

O Papa Francisco realmente e bem, em minha opinião, tem estado do lado do povo de Deus
que sofre, das periferias, tendo-se manifestado publicamente sempre do lado dos refugiados,
dos migrantes, e dos abusados pelo clero pedófilo, pedindo-lhes perdão em nome da Igreja,
pelo hediondo crime cometido por alguns eclesiásticos no exercício das suas funções.

É claro que a inédita mas tardia, proclamação de tolerância Zero contra a pedofilia e para quem na
hierarquia da Igreja a encobrisse, aliada à sua atitude evangélica de abertura da Igreja aos
novos desafios que se lhe colocam no século XXI, lhe têm granjeado inimigos, quer entre o
clero conservador, quer entre os politicos populistas de extrema-direita, que não lhe perdoam
a sua compaixão e chamadas de atenção a favor dos migrantes. Cristo como Francisco também
teve de enfrentar os fariseus e doutores da Igreja, que se opunham à sua mensagem.

 

Uma colaboração de Nuno Pereira da Silva / Coronel de Infantaria na reserva.