O homem do gás

Aqueci da melhor maneira

um conto erótico 
por Dany
 
 Apesar da Primavera já ter chegado, à noite ainda arrefece e nada melhor do que um
banho quente. Isto quando há gás…

 Sim, porque sem gás é um verdadeiro martírio. Pois bem, foi o que me aconteceu depois
de um dia de “trabalhos forçados” visto que passei horas em limpezas, arrumações e
mudanças.

Tudo por um objectivo do meu agrado mas convenhamos que foi demais. Esgotada e
desejosa de relaxar no meu confortável sofá preparei-me para um revigorante duche. Servi-me
de um bom Sauvignon e despi-me com a reconfortante ideia de missão cumprida: a minha
casa estava linda! Dei um golo no néctar rubi e meti-me debaixo do chuveiro para logo soltar
um grito de horror: a água estava gelada.

Os cabelos a escorrer, toda em pele de galinha e os dentes a bater lancei-me escada abaixo para telefonar para a empresa que distribui as bilhas de gás.

Do outro lado do fio uma voz cansada argumentou que já não eram horas de fazer
entregas, de aceitar encomendas, que ligasse no dia seguinte, que a vida era assim…-

Era o tanas! Não sei se foi a voz ritmada pelo bater dos dentes se o facto de sensualmente lhe
dizer que estava desesperada, enregelada e apenas com uma toalha enrolada no corpo, que o
demoveram.

– Vou pedir ao meu filho que faça este favor. Terá de pagar uma taxa extra pelo serviço fora de
horas. Boa tarde!

Soltei um comentário pouco abonatório, mas que se lixe. O que interessa é que o gás ia ser
reposto. Escada abaixo, escada acima fiz por aquecer, até que a campainha tocou. Meti a
cabeça fora da janela, destranquei o portão e gritei:

– Pode colocá-la no depósito e fazer a ligação? Vou buscar o dinheiro. O rapaz, ou melhor, o
rapagão fez o que pedi e quando paguei não resisti a dizer:

– O seu pai foi muito rude. Aqui tem o valor normal mais o extra. Obrigado!

Com uma voz rouca ouvi-o dizer que era da idade mas que lá no fundo o pai era boa pessoa.
Aconselhou-me a subir e experimentar se estava tudo ok. Mais calma, anuí e ainda bem que o
fiz pois foi preciso dar um toque no esquentador que ficou desregulado. Ainda mais gelada e
com os dedos dormentes afrouxei a toalha que caiu e me deixou exposta, não só ao frio como
aos gulosos olhos que me miraram sem esconder que o faziam.

– Ainda adoece, o melhor é encher a banheira enquanto lhe dou uma massagem, sem
pagamento extra.
Obedeci ao estranho que me acompanhou e que me aqueceu melhor do que o mais quente
banho. As mãos fortes pelo meu corpo incendiaram-me loucamente, os lábios carnudos
deixaram-me em brasa e o membro dedicado levou-me ao rubro. Um verdadeiro auto-de-fé. À

segunda foi uma fusão de calores entre o dos nossos corpos e o do duche quente que nos
acariciava a pele até gritarmos de prazer.

Bem aquecida e de volta ao meu copo de Sauvignon, adormeci a sonhar com o filho do homem
do gás.