O concelho de Mafra na Pintura Contemporânea

O concelho de Mafra na Pintura Contemporânea

Durante este Inverno tive a oportunidade de ler no Jornal da Ericeira que na Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva tinha havido uma tertúlia/ conferência com a presença de alguns escritores contemporâneos  que versou sobre o tema da Ericeira na literatura, tema que tem recorridas vezes sido apaixonadamente abordado quer na poesia quer na prosa.

Como apaixonados e colecionadores  que somos de artes plásticas modernistas e contemporâneas, quisemo-nos debruçar sobre a influência que o Concelho de Mafra e o seu riquíssimo património arquitetónico e paisagístico, atualmente tem nestas particulares formas de artes, e como tem influenciado os diversos artistas de cariz regional e nacional.

Para além da obra do aguarelista  Rui Pinheiro natural de Sintra mas morador na Ericeira, na nossa opinião, são de salientar cinco magníficas exposições, efetuadas com a curadoria do Helder Alfaiate, de quatro  grandes pintores, dois consagrados e dois emergentes, que passaram para o papel e para  a tela as suas emoções vividas no Concelho duma forma sublime, que marcarão indelevelmente a cultura nacional, são eles o aguarelista Paulo Ossião, o Branislav Mihajlovic, o Carlos Farinha e a Lara Roseiro.

O Paulo Ossião, o maior e mais consagrado aguarelista português, que normalmente pinta Lisboa, efetuou duas exposições, uma no Palácio Nacional de Mafra, em que  pintou alguns pormenores internos do monumento, de diferentes perspectivas e ângulos de visão dando-lhe  novas e interessantes leituras, que só um grande artista consegue transmitir, e outra retratando magistralmente  a Ericeira, os seus recantos nos tons de Azul e Branco com a sua luminosidade característica mais triste e cinzenta que a de Lisboa, em excelentes quadros de grande dimensão, normalmente formatos de óleos e não de aguarelas.

O Branislav Mihajlovic, pintor da Sérvia radicado em Portugal há diversos anos, que normalmente é um pintor  hiper- realista, efetuou a sua primeira incursão no domínio do abstracionismo,  inspirado na Ericeira, tendo  elaborado uma série de pinturas captando o azul e a luminosidade da Ericeira, que de alguma forma nos impressionou e nos fez lembrar as geniais  pinturas de Mark Rotko.  

Os dois pintores emergentes, Carlos Farinha e Lara Roseiro,  também retrataram, a seu modo a Ericeira.

 O Carlos  Farinha retratando algumas ruas e cenas da vida quotidiana  na Ericeira, com as suas personagens que nos parecem saídas de cartoons, em que a vila da Ericeira é retratada duma forma naif; e a Lara Roseiro, atualmente com os seus trabalhos em exposição na extraordinária Galeria Orlando Morais, em que neles apresenta várias composições com Azulejos retirados das Ruas  e monumentos da Ericeira, que desconstroem a figura feminina sentada ou de pé, que era e é a sua imagem de marca. 

Nuno Pereira da Silva

Coronel de Infantaria na Reserva