ERICEIRA…e casas para albergar quem vem trabalhar?

 

ERICEIRA: 

Desemprego, vontade de trabalhar …e casas para albergar quem vem trabalhar?

 

As estatísticas do Instituto do Emprego e Formação Profissional mostram que o desemprego em Portugal está a voltar aos níveis de 2008.

FIM DA CRISE?

“No final do mês de junho de 2017, estavam registados, nos Serviços de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 418.189 indivíduos desempregados, número que representa 69,4% de um total de 602.194 pedidos de emprego”, explica o IEFP num relatório estatístico publicado no site oficial esta quarta-feira.

O número de desempregados em junho é o mais baixo desde dezembro de 2008, mês em que se começou a sentir a crise mundial de 2008.

O IEFP informa que o desemprego diminui em todas as regiões de Portugal na comparação com junho do ano passado, ainda que o Alentejo e o Algarve tenham sido as regiões com maiores quedas: 20,8% e 29,6%, respetivamente.

Na verdade a falta de pessoal para a hotelaria e restauração faz-se sentir na Costa da Ericeira, como no Algarve e zonas de turismo, sobretudo mão-de-obra especializada ou com formação.

Hoje não basta servir à mesa, só porque não tem emprego, é necessário saber servir. E para progredir tem de gostar do que faz. A qualidade do serviço na restauração da Ericeira não pode descer, mas sim tem de evoluir para um serviço de excelência.

Não se pode pagar caro com um mau serviço. O cliente não voltará.

SUBIDA DE SALÁRIOS?

Ora da falta de gente para trabalhar, resulta que terão de subir os salários, pois a invasão de brasileiros parou, a possibilidade de habitações permanentes, quartos ou lugares para pernoitar, são hoje tudo para turismo, logo os valores que pedem pelos alugueres não são de facto para quem vem trabalhar e vem de longe. E fica-se numa solução difícil para empresários que não podem pagar, ou salários altos, ou subsídios para habitação, já que por tradição o trabalho na restauração já tem alimentação incluída.

Por outro lado, os horários da restauração são de tempo inteiro, quase de sol a sol, sem possibilidades de outras opções de vida, quer para estudar ou assistência à família, ou para conviver com amigos. Sem sábados ou domingos e feriados. Os intervalos, após o almoço e até ao jantar, ou nas cervejarias até ao lanche, não são convidativos, quer para quem trabalhe na copa ou na sala. Daí que cada vez haja menos oferta e muito mais procura.

SOLUÇÕES A CAMINHO?

Está em estudo avançado, na Ericeira, um Centro de Apoio à Restauração e Hotelaria, com a criação de uma “bolsa de emprego” para a restauração, com protocolos com associações empresariais e o Centro de emprego (IEFP) por forma a dar formação e poder a todo o momento garantir não só trabalho temporário, ou no caso de interesse pelo desempenho demonstrado, poder transferir para definitivo o mesmo contrato de trabalho, libertando assim a responsabilidade do Fundo de desemprego.

Desta forma, aguarda-se com grande espectativa esta solução, que dadas as suas características envolverá burocracias normalmente demoradas e poderá vir a ter resolução mais rápida dado que a Câmara Municipal queira intervir, com todo o interesse sempre demonstrado em ter na Ericeira um serviço profissional de “Serviço de Excelência” como exemplo vivo de referência para o resto do País, como o já demonstrou no destaque dado ao Alojamento local em parceria com a AHRESP.

Um artigo de opinião

de Helder Martins