BOMBEIROS & VIVER NA ERICEIRA

 

Um apontamento

de Helder Martins

Podemos não ter algumas comodidades por não viver em Lisboa. Cinemas, teatros, hospitais, modernices, restaurantes internacionais de comida chinesa, tailandesa, serviços de porta a porta, e etc, porém, outras vantagens cobrem em muito o que nos falta e que a pouco e pouco serão superadas pois dependem sobretudo de nós.

É que, em outubro, vamos votar, ou não votar, pois não é obrigatório, infelizmente. E aí, podemos seguramente apostar em conseguir mais vantagens, dado que possamos votar no candidato útil e que mais possa superar garantidamente o que consideramos como de nossas carências.

Isto vem a propósito de ter chamado para uma emergência, cerca das 23,00h  de domingo o 115 que depois encaminhou provavelmente a chamada para os Bombeiros da Ericeira, que rapidamente apareceram.

Da qualidade do serviço, carinho, trato e rapidez só tenho a dizer bem.

Tratava-se da minha sogra, que com a sua avançada idade, esteve bastante mal naquela noite. Os bombeiros sempre em contacto com os serviços médicos centrais que acabaram  por se encontrar na auto-estrada, para na presença da doente concluírem para onde a levar. Acabaram por ir para Torres Vedras.

Acompanhada pela filha, esta manteve-se acordada de vigília no hospital, sem notícias até de manhã, quando acabaram por lhe dar alta, sem uma razão lógica sobre o que acontecera.

O pior destas coisas é a ansiedade e a falta de condições nas esperas.

O melhor é ninguém ter sofrido mais do que o susto e regressar a casa, apesar de uma noite em branco.

Segundo o título desta peça, continuarei a falar dos Bombeiros e do 115, pois já ganhei prática. No dia seguinte, e logo de manhã, 9h00 quando chegava um técnico, para uma assistência a uma das nossas máquinas, ao abrir-lhe a porta, pediu-me em aflição para o acompanhar a uma casa, na nossa rua mas mais abaixo, pois uma senhora estava a pedir socorro. Lá fomos, rapidamente, e na verdade, a senhora idosa estava aflita, sozinha e com a filha desmaiada no chão da cozinha. Nervosa, a senhora pouco falava além do altíssimo estado de preocupação que era visível, face a uma cena que não controlava.

Nem ela, nem eu, nem o técnico de máquinas de impressão que me acompanhava.

A nossa incapacidade de fazer algo, fez-me recordar o meu tempo de jovem escoteiro, mas nada me ocorreu melhor do que ligar para o 115 como já o tinha feito no dia anterior. Rapidamente atendido, também rapidamente chegou uma ambulância dos Bombeiros da Ericeira.

Entretanto, o inquérito um tanto ou quanto desajustado, pelas perguntas pertinentes mas que a minha ignorância face à situação, impedia-me de responder cabalmente, pois não sabia historial de doenças, se a senhora estava a ser medicada, etc…mas à pergunta se a acidentada senhora estava a respirar, levou-me a pensar o pior…e tanto eu, como o meu acompanhante técnico de máquinas, baixámo-nos para verificar a respiração…e apercebi-me que na positiva a senhora respirava embora lentamente. Respondi que sim – respira, senão respirasse já teria morrido, afirmei em tom de dar um ar menos pessimista. Achei um bocado a pergunta descabida mas provavelmente correcta. Tudo isto descrevo para que se possa considerar que a todos acontecem estas coisas e temos, ou devíamos estar, mais preparados, talvez na escola, para socorrer quem quer que seja que necessite… mas também é muito agradável ver que até conhecemos os bombeiros. Que estamos com gente conhecida.

Sem exagero as duas equipas estiveram muito bem. Bem hajam.

Essa é a diferença de vivermos na Vila da Ericeira.

Esta singularidade de estarmos entre conhecidos, amigos ou não, ajuda nos tempos difíceis, depois passa-nos pela cabeça que esta gente que chamamos voluntários na sua maioria é parte voluntária & parte profissional. Não é para retirar real valor ao seu profissionalismo, pelo contrário, temos de exigir sempre mais, logo temos de entender que para haver formação continua tem de haver como compensação pagamento em conformidade.

Nem sequer entendemos de “mais ou menos voluntários”, às vezes não são, e à noite já passaram a ser. Ou são, ou não são. Não é por vergonha. É necessário haver serviço de qualidade e que os bombeiros sejam profissionais e bem remunerados. Haverá muitos serviços de bons voluntários, mas não podemos ter dúvidas. Ou são voluntários ou são profissionais.

E mais… não podem estar pendentes de peditórios e de festas. Ou de uma quota de sócios a pagarem 1 euro. É um “atirar areia para os olhos” de todos. Se prestam um serviço cívico, e necessário, diria mesmo imprescindível, se os médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar num qualquer posto da Segurança Social ou num Hospital ganham mensalmente um salário o que tem um bombeiro de ser diferente?

Tanto um como outro, são serviços essenciais da saúde pública, logo até deveriam ter o mesmo espaço físico e igual tratamento. Tudo com médicos e enfermeiros 24h.

Já o problema dos incêndios terá características diferenciadas. Mas deveriam estar todos em consonância e sem estas diferenças que ninguém percebe. Por um lado tipo militar e porquê? Por outro lado, têm e não têm a ver com os médicos e paramédicos ( como em outros países como a América) e em união com a Protecção civil? Porque não uma Unidade destes Serviços apenas e só com uma única direcção?

Eu, que nem sou nenhum malandro, sinceramente não entendo!