AS ELEIÇÕES

Uma opinião vale o que vale. E quem não tem opinião? Todos temos.

Falando em nome pessoal, nunca obriguei a redacção deste jornal a fazer o que quer que fosse ditatorialmente, antes pelo contrário enquanto fui director e agora que sou um simples colaborador como muitos, entre cinco dezenas de voluntários.

E curiosamente também, é esse número que conta o tempo da existência deste jornal – há cerca de cinco dezenas de anos.

E o curioso é que nestas ELEIÇÕES falando “off record”, com a maioria dos cabeças de Lista, todos são unânimes em considerar, e sem qualquer dúvida, quem é o vencedor.

Ora sendo assim, porquê gastar fortunas quando estamos em crise? Porque não – como já alvitrei – fazer uma mesa redonda em que se colocavam em cima da mesa soluções e projectos, discuti-los, e apoiá-los a chegar a bom porto colectivamente. Isso seria um exemplo para todo o País e para o estrangeiro. E todos saberíamos quem quer o melhor para a nossa região, e quem quer mesmo colaborar sem guerras. E se o eleito irá mesmo cumprir, deixando ali um compromisso.

Fomos o único órgão de informação regional do nosso Concelho que deu sempre espaço a todos os partidos. E em termos de igualdade. Numa página criada propositadamente “OPINIÕES” os partidos, ou quem os representa, depressa se cansaram de entregar os textos. 

Acabámos por desistir dessa secção, havendo apenas um resistente. E…Acabou-se!

Sempre em todas as eleições demos espaço igual a todos os Candidatos. Não é ideia original, nem nova, de agora. Pois arvoram em arco com – aqui d’el rei … Há 12 anos até tivemos de responder em tribunal por textos publicados no fervor da Campanha eleitoral, por colaboração, mesmo assinada, e naturalmente é de lei , também o director foi considerado co-responsável.

E como arguido lá fomos presentes a tribunal e felizmente (e muitas vezes como arguido) nunca fomos penalizados além de perda de tempo e dinheiro.

Também por “politiquices” perdemos um apoio que nos custou milhares de euros que naturalmente não recebemos. E outro tanto que tivemos de devolver. Só por falta de parecer da CMM (PSD) que não assinou o final do processo, tendo apenas assinado a página inicial.

Tudo por imparcialidade politica deste jornal.

Os mais novos, mesmo à frente de partidos – falam, falam, mas ignoram estes, e outros factos, por isso aqui “refrescamos” a sua memória. Os outros ficam também a saber que “já demos para esta festa”.

Em 2009 acompanhámos as eleições com grandes destaques e entrevistas a todos.

Sobre o que acontecia nas Assembleias Municipais, solicitámos, na altura, autorização para filmar e tal não foi autorizado. Só fotografias, e assim passámos a dar “o relato” do que se passava, pois não havia actas das Assembleias senão muitos meses depois…A falta de qualidade no que respeitava ao som obrigava-nos a gravar, o que só estava previsto para a RCM e portanto não havia tomadas de saída de som para gravar. Havia apenas uma mesa só para funcionários da CMM e para a Rádio. Nós não tínhamos direito a nada. Zero.

Fomos ultrapassando todas essas barreiras e rasteiras. O único partido que nos apoiou na Assembleia Municipal foi a CDU através do deputado José João, que mais de uma vez questionou a Mesa sobre o ostracismo a que o nosso jornal era colocado perante a concorrência.

Mais tarde também o Prof. Alves Pardal do CDS proferiu elogios ao nosso jornal perante a total ausência de noticias sobre o que se passava nas reuniões da CMM e na Assembleia, com a honrosa excepção do trabalho que fazíamos, e questionou pelo porquê de O ERICEIRA não ser contemplado com anúncios obrigatórios das publicações de Editais, etc. A questão que referiam perante a lei – era a obrigação de ser no mínimo quinzenal e eramos de facto, na altura, de publicação quinzenal, só com a crise fizemos marcha atrás para poupar nos gastos dada a falta de publicidade. Hoje somos diário na net e mensal em papel.

Fomos o único jornal que investiu em câmaras, sistema de som e luz para entrevistar todos os candidatos, há quatro anos atrás, quando estávamos perante uma grande revolução e mudança com o término forçado de Ministro dos Santos (PSD). Havia o suspense da mudança.

O resultado desse esforço está à vista, todos agradeceram com palmadinhas nas costas…mas isso não chega. Nem dá para encher de gasolina um carro velhinho para deslocar sempre que se justifica qualquer reportagem. E ainda se admiram quando a ausência é notada.

E hoje a CMM tem serviço de video e de fotografia. É independente. Dantes isso não existia.

Há quem se intitule como jornal, mas o mais longe que foram até hoje…foi… digamos 12 Kms e a receberem apoios de partidos.

Não desistimos (ainda) mas há que parar e pensar se justifica tanto esforço, e dar atenção a quem por nós não tem a mínima consideração e apenas se lembra que existimos nestas alturas de eleições…

Ou para captar imagens dos discursos nas Assembleias, que confesso (falo por mim) cada vez são discursos mais pobres, mais cheios de raiva, inveja, partidarite e outros adjectivos, e pelo contrário não contemplando nada de útil para o povo nem para esta região em que todos vivemos.

Discutem-se mais assuntos do governo e de caracter geral, do que da nossa região. Discutem-se assuntos de “lana caprina” empata-se, empata-se para acabar às tantas ou até dar o sono… e todos ganham senhas de presença… menos nós. Pouco, mas ainda ganham. Nós íamos a correr, comer “um prego” em pé ao balcão, para lá estar às 21h , correr as escadas do Palácio…para regressar às tantas…para quê?

Chega a um ponto que se tem de pensar, e questionar…mas qual é o nosso papel ?

Andamos aqui a construir a imagem de quem pouco ou nada merece. Andamos a alimentar egos de quem nem se apercebe de como aqui se chega? Gente que nem sabe o que vem aqui fazer, e nós ainda empolamos as matérias, justificando com total ausência de justificações.

Gente que vai ao púlpito só para ser fotografado?

Tem que se dizer BASTA! Chega!

Agora os novos querem continuar, sem verem primeiro o que já fizemos. Têm o direito de experimentar sistemas e métodos. Falhar é humano. Podem falhar pois também falhamos.

Mas estar a dar direito de antena… a quem? Merecem o nosso esforço, o nosso trabalho, o nosso tempo? O que fizeram ou fazem para isso?

Só porque criaram um partido, ou se misturaram para serem candidatos? Forçaram a nota para terem uma claque paga com meia dúzia de tostões para serem eleitos? Trocarem uma profissão qualquer que seja, para serem políticos e poderem encher os bolsos? Quem são e de onde vieram, o que fizeram de utilidade e o que pretendem fazer?

A maioria não tem historial nem académico nem profissional, tem escalado no partido por falta de gente melhor, ou por sistemas não divulgados…e agora? Serão o quê?

Há que respeitar as ideias e o voluntarismo… mas há que compreender que são pessoas que nos vão garantir durante 4 anos a nossa qualidade de vida, cobrar impostos, que pagamos… gerir  o que é nosso.

Algum deles, se o leitor tivesse uma fábrica, ou uma loja , responda sinceramente – colocaria à frente desse seu negócio com carta branca de poder pôr e dispor, tipo cheque em branco ?

Então se é afirmativa a resposta…Vote nele!

 

Uma opinião de Helder Martins