ALTAMENTE SOFISTICADO

A EVOLUÇÃO NÃO pára… nós é que vamos envelhecendo.

Não é fácil, mas por mais que se faça um esforço para acompanhar a evolução de…

tudo, ia dizer disto e daquilo, mas na verdade nada está parado e à espera. Tudo gira a uma velocidade extraordinária… e só sente quem pára para ver, e pensar.

Quem anda a correr não dá por nada.

Ora pare lá um pouquinho e veja… sinta!

Estive ontem em Mafra, no “MacDonald’s” que muita gente, com ou sem razão, critica, e que confesso, de vez em quando sou cliente. Não acredito na falta de qualidade tão apontada, eu considero que no geral é barato e sabe bem, e vê-se o máximo de cuidado, higiene e modernidade no manejo da cozinha para além de que o sabor é sempre igual em qualquer parte do mundo

Não será comparável com um peixinho grelhado, na Costa da Ericeira, com batatas cozidas que agora só por calanzisse ou para armar ao fino nem descascam, e sem qualquer tipo de legumes como acompanhamento, e toma lá 40 ou mais euros por pessoa. Mas isso é outra plataforma, é falando em tecnologia que hoje queria chamar a vossa atenção.

No McDonald’s ia comprar vários Menus para levar para casa, e a menina que me atendeu, bem uniformizada com a tecnologia na mente e nos artefactos de microfone e auscultadores a fazer estilo – informou-me simpaticamente e muito profissionalmente que só podia fornecer-me após as 19h00 – o que eu queria era “uma qualquer coisa Box” que além de preço reduzido, leva tudo lá dentro – daí a palavra box (caixa) este meu inglês técnico é do liceu (3 anos).

Ora para quem pense que sou técnico-sabedor do MacDonald’s, não se iluda – estava com o telemóvel a receber instruções à distância. Sei lá o que é a box e o que leva (?!).E é disso que vos quero inteirar nesta minha redacção sobre alta tecnologia de que a cada dia que passa estamos mais cercados e logo a chamarem-nos saloios estúpidos. Por tal facto estou aqui a tentar “dar cultura” considerada da real bifana!

Ora, e para não me perder, estava ao balcão e segundo a menina, só a partir das 19h00 poderia fazer a encomenda (alta tecnologia do tempo/jantar) e como faltavam cerca de 15 minutos, decidi ir comendo e esperando, como se usa em certas terras, que comem na gaveta e se alguém chega, fecha-se a gaveta e informa-se que já passou a hora do jantar. Mas não é fácil.

Para escolher um hambúrguer que dantes, e faça-se justiça, era muito bom e foram inovação aqueles cartazes bem iluminados com as imagens e os preços, que nós apontávamos e às vezes acertávamos no que queríamos, a menos que já tivéssemos experimentado. Escolhíamos por exemplo um Big Mac, Double Cheese ou outro nome que agora não me vem à memória, como aquele anúncio em que vão a remar para a América no rio Tejo…

Pois agora a evolução é tão grande, e ainda bem, mas já não está lá a foto de todas as variantes dos hambúrgueres e famílias respectivas, que existia dantes. Agora até ficamos tontos, pois aquilo são imagens que se mexem para a esquerda (nada de politica) e acabamos por indicar à menina algo que quando ela olha…já passou. São imagens em vídeo bastante nítidas e apelativas.

Mas não se desiste, a simpática e paciente menina que está em formação, acompanha-nos com a chefe – essa sim, altamente equipada como o esquadrão anti-terrorista, com microfone, auscultadores, e outro equipamento que não estará à vista (eventualmente um detector de minas) a que  só faltam os óculos para visão nocturna. E vamos para uma torre de Atendimento Automático para se encomendar ali, falando para a parede, evitando filas ao balcão. Basta carregar nos botões, selecionar o Menu com fotos (as tais que passam no écran da parede) mas paradas e clicar onde queremos e no que queremos, colocar o cartão de crédito ou multibanco e aguardar.

Trata-se também é de uma operação sofisticada – aparece num visor no alto do balcão, o número do nosso talão a indicar o que se passa com o nosso pedido. A processar, a entregar, ou outra informação que não retive, nesta sessão de aprendizagem áudio-visual da arte de bem comprar uma bifana, sem a hipótese de ser bem ou mal passada.

Era bem bom que os serviços de saúde, finanças etc., copiassem este sistema. Pelo menos não ouvíamos a voz roufenha a chamar sem se perceber, sobretudo quando a idade já não permite ouvir bem e não sabemos o que estão a fazer enquanto estamos esquecidos à espera.

Surpreendeu-me esta enorme e superior desenvolvimento num restaurante sobretudo de gente jovem que já não sabe falar, nem escrever, só clicar nas imagens… assim já não fala com ninguém, a menos que seja por SMS pois, está tudo com o telemóvel na mão, em pé mas com o dito-cujo encostado a uma espécie de banco alto, que só dá para encosto de meio rabo, pois não tem espaço propositadamente – é a sofisticação da modernidade …. Mac estamos contigo!

Um apontamento de Helder Martins